quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Angu de banana/S.Tomé


Sugiro que…
Utilize este prato como acompanhamento para pratos de peixe




Angu de banana


10 bananas


Leve um tacho ao lume com água e coloque as bananas com casca para cozerem.
Depois de cozidas, descasque-as e desfaça-as bem com um garfo.

Peixe seco

Em algumas receitas aparece o peixe seco.
Para algumas pessoas é um bicho de sete cabeças encontra-lo.
Actualmente o peixe seco aparece com facilidade nos supermercados e com uma qualidade superior aquela que nos habituamos noutros tempos a ver em África e passávamos por ele sem o vermos.
Começamos por esquecer que o bacalhau é peixe seco e depois passamos pelo pechelim, pelo escamudo e até pela abrótea seca sem darmos por eles.
Mas há uma maneira de o termos sempre á mão!…sermos nós a seca-lo!…porque não?…
Tenho uma amiga que o seca na varanda e é muito fácil.
Compre um peixe a gosto (eu prefiro do grosso como a corvina) e corte em tiras como para filetes. Enfie estas tiras num arame que não ganhe ferrugem ou num cordão e salgue com sal grosso ou fino. (o sal fino salga mais)
Pendure numa zona com sol e vento. (de Verão por vezes um dia chega para secar o peixe)
De noite guarde o peixe dentro de um escorredor e tape. (durante a noite o sal desidrata o que ajuda na secagem)
No dia seguinte volte a colocar ao ar e verá que seca facilmente.
Depois é só guardar (se possível pendurado num lugar seco e á sombra ou mesmo congelar) e chega a durar seis meses. Se por um acaso voltar a ficar húmido é só colocar novamente ao sol e ao vento.
 
Agora uma dica:
Com o peixe de carne escura.(o atum por exemplo ou o salmão) Em vez de tiras, corte o peixe em pequenos cubos e seque-o do mesmo modo. Mas não deixe secar muito. O ponto certo é quando se aperta um cubinho e ele ainda está macio como um pedaço de borracha. Então tire o peixe da secagem e coloque-o num frasco de vidro que tenha tampa e adicione um tempero a gosto, como ervas aromáticas, cebola picada, alho e pimenta, e depois cubra com azeite. Deixe durante uma semana ou mais... e terá um petisco de lhe tirar o chapéu. O peixe fica com consistência de presunto e um sabor único… 
Uma outra dica:
Para escolher peixe fresco, escolha o peixe com pele firme e um brilho metálico molhado. O peixe tem de ter um cheiro fresco, se for de água salgada, deve cheirar um pouco a algas marinhas. Os olhos devem ser límpidos e as guelras vermelhas.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Introdução do Livro Sabores de África

Gosto de cozinhar, embora não seja cozinheira. Será isto estranho?
Amo África, embora me digam que estive lá pouco tempo, pouco tempo para tanto amor, o que é verdade. Isso também parece ser estranho para muita gente…
Viver em África foi uma época que marcou profundamente toda a minha vida. Lá me tornei mulher, fui mãe, ri e chorei, venci e perdi. Ao mesmo tempo, enquanto subia estes degraus, fui aprendendo a amar os seus cheiros, os seus sons, as cores, os paladares, as gentes.
Acabei por sair de lá há trinta e quatro anos, mas trouxe comigo essas marcas identificativas da terra amada e que sempre me têm acompanhado. Tal como a família…
E se os cheiros não posso transmitir, pelo menos a arte de criar aqueles sabores que me ficaram na memória posso espalhar por onde puder. Aí está a razão da existência deste livro.
Dizem-me: «Mas só estiveste em Angola!... Como é que te puseste a escrever sobre os sabores de cinco países de África?».
Nem eu própria sei! No fundo, talvez tenha sentido que os sabores de um país se entrelaçam, se conjugam, se multiplicam com os sabores dos outros.
Utilizei uma linguagem simples e directa, de modo a que todas e todos pudessem entender as receitas e não chegassem ao fim das mesmas sem compreender o princípio e o meio, sem perceber onde está o sabor a criar. Apliquei a expressão «quanto baste» (q.b.) para referir as quantidades de alguns ingredientes, como o sal, a água, o azeite, assim como «a gosto» – «picante a gosto» –, porque são ingredientes que se devem
utilizar na culinária consoante o gosto de cada um.
Na verdade, uma receita de culinária não é uma ciência exacta, mas sim uma arte cujo resultado depende ora do gosto do seu autor ora dos ingredientes que se tem à mão.

Portanto, não se acanhe em alterar ou substituir um ingrediente. Os povos donde estas receitas são originárias também as modificam de região para região e conforme os ingredientes de que podem dispor, em cada momento ou época. Pensando bem, que importa se em vez de galinha é um frango que vai para a panela?… O importante, sim, é que se sinta feliz com o que faz e o paladar desejado esteja lá…

terça-feira, 25 de janeiro de 2011


Começo este blogue com uma dedicatória da minha amiga de infância, feita para o meu primeiro livro "Entre Tachos e Panelas".
Amiga São
Descobrimos juntas o A e o B e que 1+1 é igual a 2. Ainda tivemos de estudar no planisfério que Portugal além deste rectângulo de terra, na pontinha da Europa, quase a cair para o mar, tinha vastos territórios em vários Continentes. Nesses momentos, a sala de aula, a nossa praia, o nosso mar pareciam pequenos para abarcar tão grandes feitos e no regresso da escola, caminhando pelas ruas de S. Pedro do Estoril, nas nossas intermináveis conversas, o futuro também parecia muito longínquo.
Partiste para uma terra grande, onde a terra é vermelha sangue e a linha do horizonte parece não caber no infinito. Andaste por lá anos, mas nas amizades redondas, de arco perfeito, a distância não rompe a cumplicidade. Fomos amadurecendo partilhando as receitas da vida, umas bem doces outras bem amargas, sentindo que afinal o futuro começava a chegar cada vez mais e mais depressa. Surgem os filhos e o que nos parecia tão longínquo estava agora tão perto…
Voltas de Angola carregada de histórias, de experiências que gostosamente me contaste, em conversas intermináveis, como quando voltávamos da escola, agora, ainda mais “recheadas” com os sabores e os saberes das gentes, negros de pele e quentes de coração, com quem partilhaste anos de vida.
Mas ainda te faltava palmilhar mais terra, o teu Minho era frio, S. Pedro pequeno demais, mas ainda ficaste por cá algum tempo à espera de partires onde sentisses melhor chão. Foi então que escolheste a planície alentejana onde o sol é mais quente quando beija a terra e “ENTRE TACHOS E PANELAS” descobres que os aromas, os cheiros, as experiências podem contar as histórias dos povos de geração em geração de sabores e de saberes vividos.
Nesta recolha de receitas, que preenche o teu livro tiveste o gosto de lhe juntar “A Amizade”, que não tem dosagens certas, que não se mede, que não tem peso, nem condimentos especiais. TEM isso sim um saber e sabor difíceis de igualar. E quando se prova…. não se esquece mais . . .
Maria Celeste Carrasco
17/11/2007