terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Tarte de Grão



1 embalagem de massa quebrada (ou outra massa a gosto)
250g de açúcar
25g de farinha
125g de grão cozido (pode ser embalado)
30g de margarina derretida e arrefecida
2 ovos
2 gemas
Raspa de limão q.b.
Açúcar em pó para polvilhar
Ganela em pó a gosto



Triture o grão com a varinha mágica, até ficar em puré.
Misture o açúcar, a farinha, o puré de grão, os ovos e as gemas, a margarina, a raspa de limão e a canela. Mexa bem até ficar uma massa homogénea.
Unte uma tarteira com manteiga e forre com a massa quebrada, pique o fundo com um garfo para não ganhar ar.
Verta o recheio sobre a massa e espalhe, polvilhe com uma boa quantidade de  açúcar em pó (é o que cria a superfície estaladiça).
Leve a forno pré-aquecido a 180ºC, cerca de 30 minutos.

Bom apetite.


sábado, 9 de dezembro de 2017

Fatias douradas em miniatura

Todos cá em casa gostam de fatias douradas. Quando os meus filhos eram crianças era normal depois das festas encontrar bocados de fatias escondidos porque não conseguiam come-las completamente. Perante isto resolvi começar a fazer estas pequenas fatias que muitas vezes decorei e até utilizei noutros eventos festivos em que a criançada estava presente.



Fatias douradas em miniatura

Pão tipo baguete pequena q.b.
Leite q.b.
Ovos q.b.
Óleo para fritar q.b.
Açúcar e canela em pó q.b.
Casca de limão q.b.
1 pau de canela

Corte a baguete em pequenas fatias.
Leve ao lume o leite com açúcar a gosto, casca de limão e o pau de canela. Quando levantar fervura, retire do lume e reserve.
Entretanto bata os ovos.
 Quando o leite estiver morno, demolhe as fatias de pão de maneira a não ficarem muito embebidas, passe o pão pelo ovo batido e frite imediatamente em óleo bem quente. Vire-as de modo a ficarem bem douradinhas dos dois lados.
Depois de fritas, escorra e polvilhe bem com açúcar e canela se quiser.
No entanto poderá barra-las com um creme a seu gosto de modo a ficarem diferentes e apelativas para as crianças.

Eu utilizei creme de pasteleiro, mas pode barrar com doce de ovos, creme de chocolate, etc.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Moqueca de bacalhau






Moqueca de bacalhau (4 doses)

4 postas de bacalhau demolhado
Azeite q.b.
1 cebola
Alho a gosto
4 tomates maduros migados
1 pimento cortado (utilizei duas cores de pimento)
Óleo de palma a gosto (utilizei massa de dendém)
1 folha de louro
Coentros picados a gosto
Leite de coco a gosto (utilizei meia embalagem)
Sal q.b.
Picante a gosto

Comece por dar uma pequena fervura ao bacalhau em água. Assim que começar a ferver retire do lume e reserve a água do bacalhau e o bacalhau em separado.

Entretanto faça um refogado com azeite, cebola e o alho. Quando estiver refogado, adicione o tomate migado, o pimento cortado em pequenas tiras e deixe novamente cozinhar por alguns minutos.
Adicione um pouco de água de ferver o bacalhau, (a quantidade de água varia consoante o molho deixado pelo  tomate) tempere com o sal necessário, óleo de palma, louro, picante, metade dos coentros picados e deixe ferver até ganhar alguma consistência. Por fim junte as postas de bacalhau e o leite de coco e deixe cozinhar mais alguns minutos até ficar apurado a seu gosto. (não esqueça de retificar os temperos antes de tirar do lume)
Polvilhe com os restantes coentros antes de servir.
Acompanhe a moqueca a seu gosto. (eu acompanhei com batata doce e espinafres salteados assim como azeitonas para lhe dar um toque tradicional português)

Nota: Em Angola dá-se o nome de moamba ou muamba à massa de dendém. Óleo de palma virgem é o óleo que se retira da superfície da vasilha onde se cozinha e esmaga o dendém. A moamba é a massa que fica do dendém cozido e esmagado depois de retirado o óleo virgem. Tomar em atenção que também há no mercado óleo de dendém refinado industrialmente mas que não é de tão saudável qualidade.

É esta massa de dendém ou moamba que dá o nome á tradicional moamba de galinha.


sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Hidromel (a primeira bebida alcoólica produzida pelo homem)



Este mês fui até Grândola à feira do chocolate. Chamaram-lhe feira de chocolate mas tinha muito pouco de chocolate e muito de doces tradicionais e conventuais.
Entre os standes encontrei um que me chamou bastante a atenção. Entre vários produtos relacionados com mel, estava hidromel. A primeira bebida alcoólica produzida pelo homem.
Dizem que:
Os povos celtas já apreciavam o hidromel.
Os romanos atribuíam-lhe propriedades afrodisíacas.
Os vikings responsabilizavam-no pelas bravuras dos seus guerreiros.
Os gregos consideravam-no a bebida dos deuses.

Poderei juntar a estas citações que em Angola até cerca de 1910 era uma bebida muito comum com o nome de zuua. Foi proibido a sua fabricação porque deixavam que a sua fermentação fosse elevada e assim o seu teor alcoólico também era grande, havendo frequentemente casos de grande embriagues.
Isto por volta de 1910 como diz o etnógrafo Óscar Ribas no seu livro Missosso. 
Eu estive lá bem mais tarde e era normal encontrar alambiques escondidos que fabricavam esta bebida… também era normal ver os cavalheiros cambaleando pelas ruas. (se calhar era do vento)


Hidromel é o nome que se dá à bebida alcoólica em que a maior percentagem de açúcar fermentado têm origem no mel, (a proporção de produção é uma parte de mel e duas de água) independentemente dos adicionantes utilizados na preparação do mosto. Como é uma bebida alcoólica fermentada, os seus teores alcoólicos variam consoante as leveduras adotadas na produção. Os produtores artesanais conseguem teores alcoólicos por volta de 20%.
Esta bebida é muito apreciada desde a antiguidade, passando pela Grécia Antiga, Roma Antiga, Leste europeu, eslavos, anglo-saxões, saxões, vikings, celtas, francos, etc.   
Entre os vikings era tão consumida e reconhecida que a própria Mitologia Nórdica explicava o seu surgimento e sua grandiosidade.
Também os maias consumiam uma bebida idêntica.
Na Irlanda era tradição e dever, os casais recém-casados consumirem esta bebida durante o primeiro ciclo lunar (ou mês) após o casamento. Daí surgiu a tradicional lua de mel.

A receita base do hidromel consiste em água, mel e levedura, A partir desta receita básica é possível adicionar um sem numero de ingredientes, como frutas, especiarias, ervas, flores, sementes, etc.etc.
Não se sabe ao certo onde esta bebida alcoólica surgiu, porque há registos de que várias civilizações descobriram que a fermentação de mel originava uma bebida alcoólica. No entanto a história diz-nos que já era consumido há pelo menos oito mil anos. A sua produção é anterior ao fabrico do vinho e à da cerveja.
Segundo Plínio, foi Aristeu quem criou a primeira formula do hidromel. (li isto algures)
As teorias sobre o seu surgimento são várias, mas a mais aceitável remonta à pré-história que diz:
Que quando o homem ainda era nômada, encontrava facilmente colmeias, então ele retirava o mel das colmeias e misturava na água que normalmente transportava. Aos poucos com o consumir desta água doce pelos homens, a bebida começava a fermentar com a ajuda de leveduras selvagens, deixadas pela boca e deixadas pelo ar que transformavam o açúcar do mel em álcool. (um dos exemplos desta realidade é ainda hoje utilizada por alguns povos da Amazónia que cospem para os recipientes quando estão a fabricar as suas tradicionais bebidas alcoólicas)
Quando o vinho e a cerveja apareceram, houve um declínio no consumo do hidromel. Estas bebidas tornaram-se mais baratas e ao mesmo tempo o mel tornou-se mais caro e um dos principais motivos foi o aumento do mel, desencadeado pela urbanização das cidades. (o mel foi direcionado para outras utilizações)

Em Portugal é pouco popular, mas está a ganhar o seu espaço entre as bebidas generosas.





Imagens autorizadas por Apiagro 

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Bolo de massa folhada recheado



Por vezes quando trabalhava fora de casa, tinha de me desenrascar rapidamente com um bolo. Habituei-me a ter sempre massas congeladas na arca que me facilitavam a vida nestas ocasiões. Foi assim que num aniversário, de um dos meus filhos, este bolo surgiu decorado com pequenos brinquedos do Walt Disney e raspas de chocolate.




Bolo de massa folhada recheado

2 embalagens de massa folhada congelada
Creme pasteleiro q.b.
Frutos secos q.b. (frutos a seu gosto em variedade e quantidade)
Ovo batido q.b. (para pincelar o bolo)
Açúcar em pó q.b.

Comece por esticar com o rolo as duas placas de massa folhada de modo a ficarem mais ou menos do mesmo tamanho e modo.
Espalhe o creme de pasteleiro numa das massas e sobreponha com os frutos secos a seu gosto. (eu usei, passas de uva, corintos, tâmaras, amêndoa laminada e nozes)
Aplique por cima a outra massa folhada, enrole à volta para que fique selado.
Pique a massa para não ganhar ar. (eu também fiz uns pequenos cortes de modo a desenhar uma árvore de Natal)
Pincele com o ovo batido e pode polvilhar com alguns frutos secos a seu gosto.
Leve ao forno a uma temperatura própria para cozer a massa (a temperatura varia de qualidade em qualidade) a seu gosto. O meu forno estava pré aquecido a 200% e cozeu na mesma temperatura.
Depois de cozida a massa, polvilhe com açúcar em pó e pode decorar a seu gosto.
Como é visível eu decorei com pequenas peças natalícias que tenho, no entanto poderá decorar com outros pequenos brinquedos a seu gosto para um outro evento, (exemplo aniversário) ou mesmo nem decorar.


Nota: Encontra no meu blog como confecionar o creme de pasteleiro. Também pode utilizar um outro creme a seu gosto.


quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Massada de peixe e marisco





Massada de peixe e marisco (4 doses)


2 postas de peixe grosso e gordo (utilizei corvina)
1 cebola picada
Alho  a gosto
4 tomates maduros
1/2 pimento  cortado
1 molhinho de coentros
Picante a gosto
Sal q.b.
Azeite q.b.
200g de gambas
Miolo de gamba q.b.
400g de amêijoa limpas de areias
300g de cotovelos ou cotovelinhos

Comece por cozer o peixe em água temperada de sal. Depois de cozido, retire o peixe para um prato e reserve a água.
Entretanto aproveite para separar o peixe em lascas grandes das espinhas e reserve.

Num tacho refogue a cebola, o alho e o azeite.
Depois de estar refogado, junte o tomate migado e o pimento. Deixe refogar bem e então adicione a água de cozer o peixe na quantidade necessária para cozer a massa. (esta quantidade varia da qualidade da massa que usar. Comece por utilizar 1,5 litro e se precisar de mais, tenha de parte um pouco de água quente reservada)
Deixe levantar fervura, junte a massa, deixe cozer uns minutos (+ ou - 5m) adicione as gambas, o miolo e as amêijoas e deixe cozer a seu gosto. (entretanto não esqueça de temperar tomando em atenção o sal da água de cozer o peixe)
Antes de desligar o lume, adicione o peixe, caso seja necessário junte mais caldo de cozer o peixe, pois a massada tem que ficar caldosa, polvilhe com metade dos coentros picados.
Antes de servir, polvilhe com o resto dos coentros picados.



Nota: se gostar do paladar mais acentuado, adicione um cubo de caldo de peixe ou de marisco.



quinta-feira, 9 de novembro de 2017

A alheira, a inquisição e a História




Diz a lenda que as alheiras foram inventadas pelos judeus porque a sua religião não permitia comer a carne de porco e com este enchido enganavam a Inquisição.
Do mesmo modo que os cristãos utilizavam a carne de porco nos enchidos, os judeus utilizavam carne de caça.
Isto é o que diz a lenda, porque se estudarmos a nossa história e a inquisição somos levados a tirar outras conclusões.
Tudo leva a querer que quando os judeus se viram obrigados a fugir para Portugal em 1492 expulsos de Espanha, eles os judeus já traziam na bagagem este enchido. Era o mais certo. Reparem que o fumeiro era o modo de conservação mais utilizado na época e de certeza os judeus já usavam o fumeiro.
Em 1492 quando vieram para Portugal D. João II recebeu os judeus e aproveitou os matemáticos, médicos e financeiros etc., todos aqueles que lhe trariam lucros e conhecimentos. Não nos podemos esquecer que D. João II andava em disputa com os reis de Espanha nas descobertas marítimas. A verdade é que enquanto os mais ricos vinham para as cidades, os mais pobres ficaram junto da fronteira. No entender de José Leite de Vasconcelos (filólogo, linguista, arqueólogo e etnógrafo português, 1858-1941), em Bragança ficaram os que vinham bem calçados, os que traziam pior calçado ficaram em Mogadouro e os descalços em Argozelo e Carção.
A história demonstra que D. João II até falecer em 1495, não perseguiu os judeus.
Já com D. Manuel não foi bem assim:  D. Manuel iniciou o seu reinado com tolerância religiosa, (apesar de muito religioso) começou por libertar os judeus que haviam fugido das perseguições em Espanha e estavam em situação de escravatura. Claro que isto era tal como fez o seu antecessor D. João II justificado pela necessidade do capital financeiro e intelectual das comunidades judaicas, valores muito importantes para a sua política expansionista. (os descobrimentos eram muito dispendiosos)
Com o passar do tempo esta política alterou-se. D. Manuel I ambicionava unir os reinos Ibéricos e para isso começou a fazer acordos com os reis católicos utilizando o seu casamento com a herdeira de Espanha, Isabel de Aragão (que era viúva do príncipe D. Afonso) e mais tarde no seu casamento com Maria de Aragão. Nestes acordos teve de ceder em relação á expulsão dos infiéis (mouros e judeus).
Em relação á comunidade judaica, D. Manuel tentou manipular esta situação, começando por obrigar a sua conversão ao cristianismo. Fechou os portos do reino exceto Lisboa para que estes não saíssem em massa do país assim como, autorizou um período mais alargado de conversão ao cristianismo, não permitindo que os convertidos fossem sujeitos de qualquer inquérito durante vinte anos. Isto na prática permitia que os judeus continuassem os rituais hebraicos.
Uma lei que foi bastante polémica foi a que obrigou à educação por famílias cristãs de filhos de judeus, que os recuperariam caso se convertessem. No entanto, estas tentativas foram um fracasso.
Levaram a que os fundamentalistas religiosos, e uma parte de populares se tornassem descontentes com o surgir de uma comunidade de cristãos-novos e fizesse com que ficassem sempre debaixo de suspeita. Se questionarmos o objetivo de D. Manuel no dissolver das comunidades judaicas e a sua integração religiosa terá sido atingido? Sabe-se que duzentos anos depois uma grande parte dos inquisidores tinham ascendência judia, e ao mesmo tempo a tradição fundamentalista cristã antissemita (sem ser exclusiva do reinado de D. Manuel), sai reforçada.
Também se sabe que esta perseguição foi muito mais forte na cidade de Lisboa. A maioria das pessoas nunca ouviu falar no Massacre de Lisboa de 1506 mas que D. Manuel I castigou severamente os incitadores deste massacre.
D. Manuel I só solicitou em 1515 ao papa a introdução em Portugal de um tribunal da Inquisição, o que só viria a ser concedido no reinado seguinte, perante novo pedido de D. João III.
Voltando ao enchido:
Depois de tanta História, está provado de que os judeus já produziam o enchido no século XV, antes da conversão forçada e da inquisição. Seria conhecido por tabafeia, (ou tabafeira) como está registado na Grande Enciclopédia da Cozinha, de Maria de Lourdes Modesto em 1965.
Pode-se verificar este nome, num texto do Cancioneiro Geral, de Garcia de Resende (Vol. III), em que Nuno Pereira, para troçar de “Doutor Mestre Rodrigo” (um judeu), lhe diz: “Eu comi atabafea, (j)uro em Deu, e grãaos torrados e pees de vitela à cea com bandouva apicaçados.”

Conclusão:
A história leva-me a crer que a alheira tem origem no enchido judeu, mas não porque eles o fizessem para enganar os cristãos.
Acredito sim que a pobreza dos povos transmontanos os fizesse popularizar o enchido dos judeus ao lhe acrescentaram a carne de porco.


Não esqueçam… a alheira de caça não foi criada neste século, nem no século passado, já se comia no século XV.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Atum de barrica à moda saloia






Fui levada no tempo ao meu almoço…
Na minha meninice e juventude, no Outono era normal comermos em casa atum de barrica cozido com couves batatas, cebola etc. etc. Este petisco começava a ser consumido na casa das minhas memórias familiares no dia de Todos os Santos, molhado com uma boa água pé e perlongava-se até ao S. Martinho acompanhado pelo vinho novo.
Continuei com esta tradição sempre que possível e até habituei o meu cara metade a comer e apreciar este atum que se ama ou detesta.
O atum de barrica (porque antigamente era acondicionado e vendido em barricas de madeira, hoje em latas de plástico) é um atum em salmoura que é um modo de conserva anterior à conservação em latas. Este modo facilitava a sua distribuição em distâncias no país e em tempo pois a pesca do atum era e é sazonal.
Anteriormente todo o atum era assim conservado, mas com o avançar das industrias conserveiras em lata, o atum de barrica passou a ser o pobre da família conserveira. Passou-se a só aproveitar as partes escuras do tunídeo ou aquelas que consideravam de inferior qualidade para conservar em lata.
Entrei bem cedo em contato com este atum, pois como o meu pai era do Algarve e este atum existia normalmente em todo o Algarve e também coexisti com este atum nos arredores de Lisboa, zona para onde fui viver com dois anos.
Ainda hoje quando o quero apreciar, o encomendo fora de portas como diziam antigamente os lisboetas ao referirem-se aos arredores de Lisboa.
Este que aqui vos amostro veio de Mafra. Aproveitei saber que a minha irmã aqui vinha (Alentejo) e lhe pedir para me trazer um bocado e poder assim matar saudades daquilo que considero um petisco.

Atum de barrica à moda saloia




Não vou explicar como se confeciona este prato, a imagem diz tudo. No entanto aconselho que o demolhem como se faz ao bacalhau.

Não acompanhei com cebola cozida. Hoje não estava para aí virada. No entanto é normal acompanhar também com uma cebola cozida.
Eu cozi o atum separadamente. Uma coisa que considero importante, reguem com um bom azeite.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Tigeladas de Abrantes

As tigeladas de Abrantes tiveram origem no Convento da Graça em Abrantes, (este convento foi demolido em 1902) confecionadas pelas freiras, portanto fazem parte dos doces convencionais. Dizem que as freiras ensinaram a receita a uma lavadeira e que esta a transmitiu a uma amiga de Rio de Moinhos. Por isso dizem que as tigeladas são de Rio de Moinhos, pois foi nesta freguesia que a receita foi transmitida de geração em geração.



Tigeladas de Abrantes

250g de açúcar
60g de farinha de trigo
6 ovos
0,5 litro de leite
Raspa de limão
Uma pitada a gosto de canela

Preparação:
Comece por aquecer muito bem o forno a 200C. Aqueça as tigelas de barro vazias durante mais ou menos 30 minutos.
Entretanto misture bem o açúcar, a farinha, a canela e a raspa de limão. Depois adicione o leite em fio, mexendo sempre e de seguida os ovos. Bata muito bem durante alguns minutos até ficar um creme homogéneo. Verta o preparado nas tigelas quentes, sem que estas vertam.
Para facilitar, utilize uma colher (eu uso uma colher de servir) e vá enchendo cá de fora as tigelas que estão no forno. Deixe cozer mais ou menos durante 10 minutos em forno quente. Servem-se frias.


Nota: Normalmente as tigelas utilizadas são de barro não vidrado. No entanto se não tiver, pode utilizar outra tigelas ou mesmo pratos de louça dos fundos mas antes de verter a massa, pincele com manteiga ou mesmo azeite.


quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Quatro doces, quatro sabores





Sempre que chegava ao outono lá começava a trabalheira de se fazerem os doces que nos iam aquecer o coração e o estômago durante o inverno que se aproximava. Era a época que eu mais adorava na minha infância. Como eu gostava de ver a minha tia ou a minha avó à volta das panelas com uma grande colher de pau que muitas vezes também servia para me ameaçarem se eu não estivesse quieta. A verdade é que eu tinha a tentação de espreitar para o que elas estavam a cozinhar. Quando viravam as costas lá ia eu encavalitar-me num banco para espreitar a maravilha que elas cozinhavam sem me aperceber no perigo que corria…
No fim aparecia a marmelada, geleia e doces de frutas variadas… (normalmente o doce de tomate estava presente assim como o de figo) como tenho boas recordações…
Atualmente continuo a fazer os doces mas faço-os mais durante o ano e muitas mais variedades. Criei o habito de congelar os frutos e ir confecionando doce em pequenas quantidades consoante as necessidades. A verdade é que não tenho quem os consuma em quantidade. Somos só dois em casa, os filhos seguiram os seus rumos e cada um tem a sua casa.
Tudo isto para vos dizer que com o correr dos anos comecei numa de novos sabores e novos hábitos.
Há uns doze anos comecei por confecionar doce de cebola e como o resultado me agradou, continuei explorando novos sabores com ingredientes diferentes  que sirvo como entradas, acompanhados por variedades diferentes de queijo ou simplesmente barrados em pão ou bolachas.
Hoje deixo-vos aqui uma amostra:

Doce de cebola

Cebola q.b.
Açúcar q.b.
Casca de limão q.b.
Estrelas de anis a seu gosto

Coza a cebola descascada em água. (poderá juntar uma pitada de sal)
Depois da cebola cozida, escorra-a e pese-a.
O peso da cebola cozida será igual ao peso do açúcar que deverá utilizar na confeção do doce.
Leve ao lume numa vasilha a cebola com o açúcar, casca de limão e o anis, mexendo para não deixar queimar o açúcar. Quando estiver fervendo e o açúcar estiver líquido, retire a casca de limão e anis para um prato e reserve. Triture a cebola, adicione novamente a casca de limão e o anis e leve ao lume a apurar. O apuramento é muito rápido.
O resto é o procedimento normal de acondicionamento de doces.

Nota: O doce de cebola com qualquer variedade de cebola assim como pode variar os sabores. Já tenho substituído o anis, por pau de canela assim como pimenta em grão. Também pode substituir a casca de limão por uma pitada de vinagre. Variar o paladar ao seu gosto é normal. Aconselho sempre a que deem um toque pessoal quando cozinhem.






Doce de pimento verde com gindungo

Pimentos q.b.
Açúcar q.b.
Gindungo q.b. (ou outro picante a seu gosto)
Casca de limão q.b.


Comece por colocar os pimentos inteiros (previamente lavados) num tabuleiro. Leve ao forno a assar os pimentos. Só precisam de assar o suficiente para facilmente lhes retirar a pele depois de frios.
Depois de lhes tirar a pele, limpe-os de sementes.
Pese os pimentos assados e limpos.
O peso dos pimentos será igual ao peso de açúcar que ira utilizar na confeção do doce.
Leve ao lume numa vasilha os pimentos, o açúcar, a casca de limão e o gindungo. Deixe cozinhar mas não esqueça de mexer para o açúcar não queimar.
Depois de levantar fervura e o açúcar se tiver desfeito, retire a casca de limão e reserve. Triture o doce com a ajuda da trituradora, adicione novamente a casca de limão e leve ao lume a apurar a seu gosto.

Nota: Tome em atenção o picante que adiciona, é preferível juntar pouco e quando estiver quase pronto o doce, prove e ajuste o picante.






Doce de pimento vermelho

Pimento vermelho q.b.
Açúcar q.b.
Pau de canela q.b.
Casca de limão q.b.

Comece por levar ao forno os pimentos (previamente lavados) a assar para lhes poder facilmente retirar a pele.
Depois de assados, retire-lhes as peles e as sementes.
Pese os pimentos e leve-os ao lume com o mesmo peso em açúcar acompanhados da casca de limão e do pau de canela.
Deixe ferver mexendo para não deixar queimar o açúcar. Quando o açúcar estiver dissolvido, retire o pau de canela e a casca de limão e reserve.
Triture os pimentos com a ajuda da trituradora e leve novamente ao lume em conjunto com o pau de canela e a casca de limão. Deixe cozinhar mexendo até estar no ponto que deseja.
 Nota: Neste pimento, normalmente não adiciono picantes pois o pimento maduro tem um toque mais apurado e a tirar para o picante.






Doce de tomate e alho

500g de tomate maduro e migado
5 dentes de alho
500g de açúcar
Pimenta Caena a seu gosto
Casca de limão q.b.
Louro q.b.


Leve todos os ingredientes ao lume a cozinharem.
Quando estiverem quase no ponto, retire a casca de limão e o louro. Triture com a ajuda da trituradora. Leve novamente ao lume a acabar de apurar.



Nota: Se não tiver pimenta caena, substitua por pimenta preta e um pouco de canela em pó.